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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A RUA SEM NOME




A rua sem nome – Uma história de Natal
(Texto adaptado de Etna de Lacerda)

Como estava se aproximando do Natal, eu resolvi sair pelas ruas da cidade. Queria ver o colorido das luzes que piscavam sem parar.
As praças e os grandes centros de comércio exibiam lindos presépios. O presépio é uma forma de os homens lembrarem o nascimento de Jesus. Numa caminha simples está o menino Jesus, ao lado de seus pais, Maria e José, os três reis magos e os animais. Nessas figuras, os homens representavam como Jesus nasceu, há mais de dois mil anos.
Andei por muitas ruas luminosas, até que encontrei uma RUA SEM NOME e sem brilho.
Você deve estar pensando que não morava ninguém nela, não é? Nada disso! A RUA SEM NOME tinha várias casinhas. Apesar de juntinhas, seus moradores viviam de portas fechadas e quase não se conheciam.
De manhã bem cedinho, cada um colocava diante de seu portão material descartável para Bené recolher.
(Bené entra)
BENÉ: Olá, pessoal. Eu sou o Bené. Eu moro aqui na RUA SEM NOME com os meus pais. Todos os dias eu recolho o material descartável das casas para vender no mercado dos recicláveis. Assim eu posso ganhar um dinheirinho e ajudar em casa. Acreditam que eu sou a única pessoa que conversa com todo mundo aqui na rua?
(Bené sai e entra a Belinha)
            Na primeira casa da rua que Bené passava, morava Belinha, uma menina muito educada, mas que vivia muito triste.
BELINHA: Eu adoro brincar no balanço. Mas o meu era muito velho e foi ficando fraquinho, fraquinho...até quebrar. Se alguém pudesse consertar meu balanço um dia...
(Belinha coloca as revistas na frente da casa sai rápido)
            Belinha deixava revistas e jornais velhos para Bené recolher. Depois corria e fechava a porta de sua casa, pois não sabia fazer amizade.
(Bené entra para recolher as revistas e sai; Vitorino entra)
            Na segunda casa morava Vitorino, um senhor magrinho e idoso.
VITORINO: Ufa, estou exausto. Todos os dias tenho que varrer as folhas que caem dessa árvore... e são tantas folhas! Se eu tivesse força suficiente, faria uma boa poda; assim, não ficaria tão cansado de ter que varrer tantas folhas...
(Vitorino coloca garrafas na frente da casa e logo sai)
            Vitorino colocava vidros e garrafas vazias para Bené recolher. Depois fechava bem a sua porta para se sentir seguro e protegido em casa, pois já era velhinho e morava sozinho.
(Bené entra para recolher as garrafas e sai; Donana entra)
            Na terceira casa residia Donana. Uma senhora simpática, mas que vivia sozinha, sem alegria.
DONANA: Me sinto muito sozinha, não tenho ninguém para conversar comigo. Eu até olho na caixinha do correio para ver se alguém me mandou ma cartinha, mas nunca encontro nada. Ninguém escreve para mim...
(Donana coloca papel na frente da casa e sai)
Donana colocava muitas folhas de papel para Bené recolher. Eram cartas que ela escrevia, mas não tinha para quem mandar. Depois, muito triste, entrava em sua casa. Nunca falava a ninguém do seu desejo de ter uma família.
(Bené entra para recolher os papéis e sai; Julião entra)
Na quarta casa morava Julião, um homem alto e fortão, mas muito zangado.
JULIÃO: Minha vida é correr atrás dessas galinhas. Não aguento mais! Todos os dias é a mesma coisa: elas aproveitam a abertura do muro para fugir. Fico muito aborrecido com isso. Eu até queria consertar o muro, mas nunca me sobra dinheiro.
(Julião coloca garrafas de plástico na frente da casa e sai correndo e preocupado)
Ele colocava garrafas plásticas para Bené recolher e não conversava com ninguém, pois não encontrava tempo: estava sempre preocupado com suas galinhas fujonas.
(Bené entra para recolher as garrafas e as coloca junto com os outros materiais que recolheu)
            E lá no fim da RUA SEM NOME, morava Bené, o menino que recolhia os materiais descartáveis para vender no Mercado dos Recicláveis.
BENÉ: Sou muito contente com meu trabalho, pois através dele consigo ajudar a manter a minha rua sempre limpinha. Mas tem uma coisa que me deixa preocupado: as pessoas aqui da rua que nunca se falam! Todos vivem tristes e solitários. Seria tão bom se fossem amigos!
            Aproximava-se o Natal, época de todos lembrarem o amor ensinado por Jesus. E Bené teve uma grande ideia para que todos praticassem o amor.
            O menino descobriu que Vitorino era um bom carpinteiro.
(Bené vai até a casa de Vitorino e bate na porta. Vitorino abre)
BENÉ: Bom dia, Seu Vitorino. Será que o senhor poderia me ajudar a construir um balanço para presentear a Belinha no Natal? O balanço dela só vive quebrado, pois é muito fraquinho.
VITORINO: Claro que sim, Bené. Vamos fazer um balanço bem bonito e forte, assim ela poderá brincar por muito tempo sem que ele estrague.
(Os dois começam a trabalhar juntos)
Juntos, construíram um balanço de madeira bem forte com a corrente resistente. Na noite de Natal, Vitorino daria de presente à Belinha.
(Bené e Vitorino saem)
            Bené sabia que Belinha lia muitos livros e revistas. Por ler muito, ele imaginou que ela devia escrever muito bem.
(Bené vai até a casa de Belinha e bate na porta. Ela abre)
BENÉ: Olá, Belinha. Notei que você lê muitas coisas. Que tal se você escrevesse uma cartinha para a dona Donana?
BELINHA: É pra já, Bené! Vou fazer um cartão de Boas Festas bem bonito, aí você coloca na caixinha de correio dela na noite de Natal. Tenho certeza de que ela irá gostar!
            E assim fizeram.
(Belinha entrega o cartão a Bené. Os dois saem)
            A seguir, Bené procurou Donana e perguntou como poderia ajudar Julião.
(Bené vai até a casa de Donana e bate na porta. Ela abre)
BENÉ: Bom dia, dona Donana. Queria ajudar o Julião a consertar o muro da casa dele, para as galinhas não fugirem mais. A senhora tem alguma ideia do que podemos fazer para ajudá-lo?
DONANA: Tenho sim, Bené! Eu tenho um dinheirinho guardado há muito tempo, mas nunca sei como usar. Vou agora mesmo até a loja de materiais de construção, para comprar as coisas que o Julião precisa para consertar o muro.
(Donana vai até a loja, compra os materiais e sai)
            E desta forma, Julião receberia o que precisava e ele mesmo faria o trabalho.
            Em seguida, o menino foi conversar com Julião.
(Bené vai até a casa de Julião e bate na porta. Ele abre)
BENÉ: Olá, Julião, como vai?
JULIÃO: Tirando as galinhas fujonas, tudo bem. E você?
BENÉ: Estou bem também. Sabe, estive pensando em cortar os galhos da árvore da casa de seu Vitorino, pois estão muito grandes. Mas os galhos são pesados e eu sou pequeno, não consigo alcançar. Então vim saber se você me ajudaria com isso.
JULIÃO: Posso ajudar sim, Bené. Ah, tive uma ideia! Vou cortar os galhos e também varrer as folhas que estão acumuladas. Assim ele não terá tanto trabalho.
BENÉ: Ótima ideia!
(Bené sai. Julião corta os galhos, varre as folhas e sai)
            Finalmente chegou o Natal.
(Belinha e Vitorino entram)
            Belinha recebeu de Vitorino o balando lindo e resistente, que jamais vira nas lojas.
BELINHA: Obrigada, seu Vitorino! Minhas tardes agora serão bem mais divertidas!
(Os dois se abraçam felizes)
(Donana entra e verifica a caixinha de correio)
Donana viu que tinha algo na sua caixinha de correio.
DONANA: Que bela surpresa! Um lindo cartão de Natal escrito pela Belinha!
(Donana abraça Belinha como se fosse de sua família e agradece)
(Julião entra e Donana entrega a sacola com os materiais de construção)
Julião recebeu o material doado por Donana e tratou logo de reconstruir seu muro.
JULIÃO: Muito obrigado, dona Donana! Agora posso ficar mais tranqüilo, pois minhas galinhas não fugirão mais do quintal.
            Julião não estava mais com cara de zangado.
(Julião abraça Donana, os dois sorrindo)
            Na noite de Natal, uma linda árvore iluminava com suas luzes coloridas a RUA SEM NOME. Era a árvore em frente à casa de Vitorino. A bela surpresa que Julião fez ao simpático velhinho.
            Vitorino agradeceu e os dois se abraçaram como velhos amigos.
(Vitorino e Julião se abraçam)
            Agora, as casinhas da RUA SEM NOME estavam todas de portas abertas recebendo cada um que vinha agradecer. Bené também ficou feliz e recebeu abraços e o carinho de todos. Ele não quis nenhum presente, pois o melhor presente ele já tinha recebido: todos se tornaram grandes amigos.
(Todos se abraçam)
            Naquela noite feliz, os moradores da pequenina rua aprenderam o verdadeiro sentido do Natal: a paz e o amor entre todos os seres humanos. A RUA SEM NOME tinha agora um brilho diferente de todas as ruas que eu vi.
            Depois daquele Natal, Bené sugeriu que a RUA SEM NOME tivesse um nome. Por causa da alegria que ficou no lugar da tristeza, pela união que substituiu a solidão de cada um, pela paz que fez o medo ir embora, pela satisfação em contar sempre com um amigo, pela felicidade que cada um sentiu ao fazer o bem, o nome sugerido foi:
TODOS: RUA DO BEM.
(Todos mostram um cartaz/placa com o nome da rua)













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